Bloco Fogueirão homenageia mães do samba e leva ancestralidade ao Campo Grande no primeiro dia do Carnaval

A proposta do bloco é reconhecer o papel fundamental das mulheres — mães, avós e lideranças comunitárias — que garantiram a sobrevivência do samba de roda e do samba junino nos bairros populares da capital baiana, muitas vezes abrindo suas casas, mediando conflitos e protegendo os espaços de cultura.
No ano em que o Carnaval de Salvador coloca o samba no centro das homenagens, o Bloco Fogueirão Samba de Roda promete transformar o circuito Osmar (Campo Grande) em um grande território de memória, resistência e celebração logo no primeiro dia da folia. O desfile acontece na quinta-feira, 12 de fevereiro, às 21h, e traz como tema “Mães do Samba – Guardiãs da Cultura Ancestral”.
Homenagem nasce da própria história do bloco
O tema tem origem na trajetória pessoal de Jorge Fogueirão, cantor, compositor e fundador do Samba Fogueirão, que destaca a presença constante de sua mãe, Dona Wanda, como base de sua formação artística e humana.
Segundo ele, o samba sempre foi também um espaço de cuidado e pertencimento. “Minha mãe esteve comigo desde o começo, foi madrinha do Samba Fogueirão e sempre garantiu que o samba fosse um ambiente seguro. Muitos lugares só recebiam o grupo se ela pudesse estar presente”, relembra.
Matriarcas que garantiram a continuidade do samba
Além da homenagem familiar, o bloco relembra histórias de outras mulheres que foram decisivas para que o samba continuasse existindo nos territórios onde nasceu. Entre elas estão Mãe Beth, do Engenho Velho da Federação, cuja intervenção garantiu a participação do grupo no Carnaval em um momento de impedimento, e Dona Bete, do Engenho Velho de Brotas, que acolheu ensaios do samba em frente à sua casa, mesmo enfrentando resistência.
Essas mulheres, segundo o bloco, representam uma geração de guardiãs da cultura popular que sustentaram o samba como expressão de identidade, resistência e ancestralidade.

Programação e atrações
O Bloco Fogueirão Samba de Roda contará com apresentações de Jorge Fogueirão, Caboquinho e Juninho Orisun, Dan Mocidade, Nei D’Resenha e Alan Dudu, levando ao público um repertório marcado pelo samba de roda, samba junino e músicas que dialogam com a tradição afro-baiana.
O desfile acontece na quinta-feira (12/02), às 21h, no circuito Osmar (Campo Grande).
Os foliões interessados em acompanhar o bloco podem adquirir a fantasia no quiosque Samba Vivo, no piso L4 do Shopping Piedade, no Salão Irmãs de Valdir, no Shopping Vasco da Gama, ou pelos telefones (71) 98746-7266 e (71) 9183-6229.
Tradição que atravessa gerações
Fundado em 1987, o Samba Fogueirão nasceu a partir do movimento do samba junino que marcou bairros como Engenho Velho de Brotas, Engenho Velho da Federação, Liberdade e Nordeste de Amaralina. A manifestação foi decisiva para a formação de músicos, percussionistas e dirigentes que mais tarde dariam origem a blocos afro e grupos de samba de destaque em Salvador.
Desde 2008, o Fogueirão atua oficialmente como bloco carnavalesco, mantendo viva a tradição do samba junino e reafirmando seu compromisso com a cultura afro-baiana e com as comunidades onde surgiu.
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